O tema do artigo anterior, de certo modo provocou-me e retorno ao assunto, também assumindo uma atitude ante a questão da cultura. É que se fazem necessárias ações concretas para estimular o acesso à arte, e à produção cultural. Preservar as raízes culturais da região e de nosso povo sem se esquecer de tudo aquilo que há de mais culto da herança artística legada das diversas civilizações.
As demonstrações de desapreço para com arte, obscurantismo cultural e mesmo desconhecimento ou preconceito contra a cultura paraibana têm-se mostrado muito fortes ultimamente: primeiro os ataques a artistas e obras de arte, denunciados no artigo anterior, agora, por ocasião do Fenart, fomos vítimas de comentário preconceituosa na revista Roling Stones. É hora de reagir em defesa do que há de mais legítimo que é a cultura de nosso povo.
Só assim poderemos dar uma contribuição concreta para o desenvolvimento artístico e cultural afastando as visões que premiam o obscurantismo ou a banalização. Como pensar em construir o ser social novo se não apostarmos no florescimento do saber e no aguçamento perceptivo que permita distinguir o belo não apenas na natureza, mas também na criação humana? Arte é criação humana para humanos e destina-se a satisfazer, através dos sentidos, necessidades não materiais que lhes são próprias e cumprem o papel de estender sempre mais as potencialidades da mente.
Como cooperado (co-responsável) entendo que a CODISMA pode muito neste sentido, afinal somos uma cooperativa cultural. Estamos sediados no principal campus universitário paraibano, onde encontramos grande produção cultural, mas que, talvez por falta de maior coordenação e publicidade não se mostre como tal. Nós mesmos (enquanto cooperativa cultural) não temos dado a importância que a questão merece.
Temos boas idéias e não conseguimos concretizá-las. Até as iniciamos e não conseguimos dar continuidade. As Sextas Culturais, que visavam na última sexta-feira de cada mês reunir, ao final da tarde, os interessados em debater arte, curtir a boa música, apresentar suas obras, interagir, é um exemplo. Da mesma forma o Cine Clube Linduarte Noronha que limitou-se a uma única sessão.
Quero fazer um apelo e assumir um compromisso para mudarmos, pelo menos no que diz respeito à CODISMA, esta situação. Convoco os cooperados que possam dar alguns minutos à cultura, que cobrem da direção da cooperativa mais ação neste campo e também se integrem com suas contribuições. De minha parte formularei propostas concretas ao Conselho de Administração e desde já me comprometo com a produção de um evento no campo da literatura para breve.
A CODISMA deve buscar parcerias dentro e fora da universidade para dinamizar as artes em nosso meio. Pode se tornar em ponto de referência para alunos, professores e servidores técnico administrativos, para intelectuais e artistas paraibanos, promovendo ações que incentivem a criatividade de um povo que já fez ver toda riqueza de sua cultura – mas tão pouco valorizada.





